O modelo Secure Access Service Edge está se tornando cada vez mais importante para a transformação digital nas empresas, provendo benefícios para a nova geração de modelos de produtividade.
A revolução do trabalho híbrido, potenciando a mobilidade de colaboradores entre escritórios, residências e espaços de coworking, exige abordagens de segurança que acompanhem essa dinâmica sem comprometer o desempenho ou experiência do usuário. É nesse contexto que o modelo Secure Access Service Edge (SASE) tem ganhado destaque, ao unificar funcionalidades de rede e segurança em um serviço nativo de nuvem, capaz de aplicar políticas consistentes independentemente da localização de acesso.
Em vez de depender de túneis VPN tradicionais, sujeitos a gargalos de performance e a configurações complexas, o SASE oferece, de modo centralizado, serviços como SD-WAN, Zero Trust Network Access (ZTNA), Cloud Access Security Broker (CASB), Secure Web Gateway (SWG) e Firewall-as-a-Service (FWaaS), permitindo que as organizações possam garantir conectividade segura e de alta qualidade para uma força de trabalho dispersa.
Os números não mentem
Uma pesquisa recente da Research and Markets projeta que o mercado global de SASE atingirá US$ 15,52 bilhões em 2025 e poderá chegar a US$ 44,68 bilhões em 2030, a um CAGR de 23,6% no período de 2025 a 2030.
Esse crescimento é impulsionado, em grande parte, pela necessidade de atender regulamentações cada vez mais rígidas, como GDPR e HIPAA, que demandam controle uniforme de acesso e auditoria detalhada para proteger dados sensíveis em ambientes onde usuários e aplicações flutuam entre múltiplos domínios.
Além disso, o Gartner já havia identificado que o mercado de SASE saltaria de US$ 7 bilhões em 2022 para US$ 25 bilhões em 2027, com um CAGR estimado em 29,4%, evidenciando a rápida adoção dessa arquitetura pelas empresas globalmente.
O núcleo da arquitetura
No cerne do SASE está a filosofia zero trust, segundo a qual nenhum usuário ou dispositivo é automaticamente confiável, seja ele corporativo ou pessoal. Ao verificar continuamente a identidade, o contexto de acesso e a postura do dispositivo, o SASE mitiga riscos como ataques de malware em endpoints não gerenciados e movimentos laterais dentro da rede corporativa.
Relatórios da Gartner preveem que, até 2027, 40% das grandes organizações com ZTNA estenderão esse modelo para execução agnóstica de localização, substituindo tecnologias legadas e simplificando políticas de acesso — um salto considerável frente aos menos de 10% observados em 2024.
Em termos de adoção, a transição para SASE é intensificada pela insatisfação com VPNs convencionais. Estudo da Verizon apontou que, em 2024, pelo menos 40% das empresas já tinham estratégias explícitas para implementar SASE, contra menos de 1% ao final de 2018.
O modelo nativo de nuvem do SASE elimina gargalos de performance e exige menos manutenção de hardware, fatores cruciais para suportar jornadas de trabalho que combinam períodos em escritórios físicos e acesso remoto simultâneo de diversos locais.
Benefícios a curto prazo
A aplicação do SASE em cenários de trabalho híbrido traz ganhos palpáveis de produtividade. Ao centralizar políticas de segurança em backbones de nuvem globais, colaboradores obtêm acesso a aplicações corporativas com latências reduzidas e sem a necessidade de múltiplas credenciais ou de longos roteamentos de VPN.
Essa abordagem melhora a experiência do usuário e reduz o tempo gasto em resoluções de problemas de conectividade, conforme relatado por diversos fornecedores de SASE em estudos de caso corporativos.
O SASE também fortalece a postura de conformidade das organizações. Com um ponto único de aplicação de políticas, é possível gerar relatórios de auditoria que abrangem todo o ciclo de acesso, desde o dispositivo até o dado em si, atendendo a requisitos de órgãos reguladores sem depender de integrações pontuais entre múltiplas ferramentas de segurança. Essa visibilidade end–to–end facilita a aderência a normas como a LGPD no Brasil e o GDPR na Europa, reduzindo riscos de multas e sanções.
Para as empresas, a migração para SASE costuma ocorrer de forma gradual e modular, aproveitando investimentos prévios em SD-WAN ou soluções de firewall de próxima geração. A arquitetura permite integrar esses componentes ao núcleo de segurança em nuvem via APIs abertas, evitando substituições onerosas e possibilitando a evolução das capacidades de forma pragmática.
Além disso, a automação de respostas a incidentes — como microsegmentação automática de tráfego ao detectar anomalias ou o bloqueio dinâmico de conexões suspeitas — acelera a contenção de ameaças sem intervenção manual, liberando as equipes de segurança para atividades de maior valor estratégico.
Mais do que uma tendência: um novo padrão
Vale destacar que o sucesso de uma implementação SASE também depende de mudanças culturais e de processos. A integração entre equipes de rede (NetOps) e de segurança (SecOps) é determinante para definir políticas de acesso como código e incorporar verificações de segurança já na fase de desenvolvimento de aplicações, prática conhecida como DevSecOps.
Isso garante que novos serviços e funcionalidades sejam automaticamente enquadrados nas políticas SASE, evitando lacunas de proteção e atrasos em ciclos de inovação.
Em conclusão, o SASE desempenha um papel central na revolução do trabalho híbrido ao oferecer um modelo de segurança e rede verdadeiramente convergente, nativo de nuvem, capaz de escalar conforme as demandas de mobilidade, performance e conformidade.
Ao adotar esse paradigma, as organizações equipam-se para enfrentar os desafios de um ambiente de trabalho cada vez mais distribuído, garantindo que a proteção dos dados corporativos não seja comprometida pela flexibilidade exigida pela transformação digital.
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